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Perspectivas & Olhares na Planície

«Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.» Paulo Freire

Perspectivas & Olhares na Planície

«Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.» Paulo Freire

Três anos de guerra na Ucrânia e às portas da U.E.

"Discursos de Paz

          Mas ausência de tratados 

          São sinais 

          De conspiração. "

Sun Tzu, A Arte da Guerra 

1. Em 2014, a Crimeia foi anexada pelo  Vladimir Putin à Federação Russa estava o vencedor de um prémio Nobel da Paz sem ter feito nada pela ordem e segurança mundial liderava a América. Barack Obama, considerado por muitos, o melhor líder de todos os tempos, alimentou e sustentou a estratégia de Vladimir Putin continuar o seu objectivo de recuperar o império russo bem como ser a única voz da Europa. O Barack Obama tem o dom da palavra, na altura quem não soubesse que era o Presidente dos Estados Unidos da América, pensaria que o orador seria um pastor dessas seitas religiosas com aqueles discursos a explorar as fragilidades humanas sempre com uma solução milagrosa emotiva sem se aperceberem as pessoas acabam de sofrer uma lavagem cerebral com a centrifugação a 1200 rotações. Os encantadores de mentes, Barack Obama e Vladimir Putin, estiveram livres e soltos para traçarem e aplicarem os seus planos políticos sem serem questionados, pelo contrário, coleccionaram louvores. 

2. A Alemanha sempre foi o motor da U.E., a Angela Merkel implacável e bem para com os estados-membros que não cumprissem com as metas do pacto de estabilidade e crescimento, com uma moeda em comum é preciso haver políticas orçamentais equilibradas. Não soube ser dura com o Vladimir Putin, pelo contrário, colocou-se nas mãos dele ao tornar a Alemanha dependente do gás da Rússia. Ela é fluente na língua russa deveria ter percebido a manha deste tirano. A Crimeia? Pouco ou nada se interessou. Não nos afecta. Erro crasso, mergulhou a U.E. para estes últimos três anos de instabilidade política, social e económica: acolhe refugiados ucranianos sem saber a duração desse aumento populacional repentino, envia dinheiro para ajudar a Ucrânia a manter-se como um estado soberano. Os que querem a Rússia a ocupar territórios é que não percebe que a diplomacia não serve de nada quando há ataques do inimigo com uso de armamento militar. O agressor tem mais regalias do que a vítima, infelizmente. 

3. As instituições da U.E. são liberadas por governantes fraquíssimos (até o António Costa ocupa um cargo, imagine-se) sem qualquer peso político na diplomacia. A Rússia ameaça com os mísseis, o que fazem os (in)competentes? Aplicam sanções comerciais, congelam os bens dos magnatas russos. Viu-se e vê-se que há produtos russos a circular na Europa,  não se compra directamente, recorremos aos intermediários que compram aos russos. A Rússia vive uma economia de guerra, porém não deixou de exportar o que já exportava antes de invadir a Ucrânia. É uma hipocrisia que se instalou nestes três anos. Há muitos governos, países, governantes, empresas privadas com ligações políticas que estão a lucrar com a guerra na Ucrânia. Se não existissem interesses financeiros e geo-estratégicos o Vladimir Putin teria já sido afastado do poder ou existido uma operação especial com o desfecho igual ao de Saddam Hussein. Desta forma, continua dia após dia o ditador Vladimir Putin a ocupar espaço nos serviços noticiosos inacreditavelmente. A União Europeia nestes três anos sem o Reino Unido provou-se a sua irrelevância na estratégia de segurança e defesa mundiais. A França, com o Macron tem tentado fazer o papel dos ingleses, porém não está a ser bem sucedido, está a ser vítima da gestão letárgica em que as instituições da União Europeia se encontram, estão especialistas em políticas reactivas e não pró-activas, por essa razão o António Costa ter sido escolhido para pertencer a esta família de apáticos. Quem foi à Casa Branca reunir com o Donald Trump? Ursula von der Leyen? António Costa? Emmanuel Macron? Esse mesmo. 

4. O 47.° Presidente dos Estados Unidos da América assume as negociações de acordo com os seus objectivos económicos para a América e para ele/família. Quer o fim da guerra, sim. Quer ganhar com fim da guerra, sim. Vai negociar com a Rússia, e vai conseguir o que pretende. Vai negociar com a Ucrânia, e vai assinar os acordos desejados. A América de Trump vence. A Rússia pensa que ganhou mas perdeu. A Ucrânia entra derrotada e sai derrotada. A União Europeia é uma "vencida da vida", chega atrasada à mesa do xadrez político mundial. A China perde terreno na discussão da guerra, porém vai ocupando os lugares dos organismos internacionais deixados pelo Estados Unidos e assim alargar ainda mais a sua influência na Europa e em África. 

5. Votar as últimas duas resoluções no das Nações Unidas ao lado dos russos, a Rússia deixa de ser um país agressor, Donald Trump entra na narrativa inventada pelo Vladimir Putin. É preciso eleições, lança-se numa ofensiva verbal mortífera para exigir a ida dos ucranianos às urnas. Putin quer uma marioneta a liderar o país. Diz o ditador russo: Zelensky é "tóxico". O pai da  toxicidade tem como nome Vladimir Putin, tem contaminado tudo e todos com a sua voz irritante e ladainha perigosa. A sua competência surge nas manobras secretas e na especialidade em quedas de grandes alturas dos seus inimigos e/opositores. Fez aquilo que gosta de fazer: negociar com o Trump a exploração de minerais de terras sob a jurisdição ucraniana. Sabendo que podia ser um isco esta conversa, Trump usou Putin para que Zelensky finalmente aceitasse discutir outra vez o plano americano para explorar os recursos naturais com alguns proveitos para a Ucrânia. Donald Trump é um homem de negócios, quando interfere na política internacional, quer ganhar dinheiro de todas as partes. Quem pensar o contrário, engana-se redondamente. Não existe neutralidade quando há um conflito militar, onde há perspectiva de fechar acordos financeiros muito lucrativos e se conseguir fazê-los com as duas partes em conflito, melhor. É precisamente o que o Presidente dos Estados Unidos da América está a fazer: "ter o melhor dos dois mundos" para ele e para o seu país.

6. A NATO fica enfraquecida com este inquilino da Casa Branca. Podia ter, juntamente com a U.E. e o Reino Unido, resolvido o conflito com decisões e operações secretas e abandonar os meios de comunicação social a promover conferências prolixas caindo na vacuidade. A Rússia tem armas nucleares e a NATO tinha e tem tudo para fazer desaparecer do mapa este ditador. Se os russos o idolatram é lá com eles, quando a segurança e a defesa dos países da Europa estão em perigo, é cortar o mal pela raiz. Teve três anos para resolver, secundarizou-se e perdeu importância no jogo de conseguir uma resolução de paz.

7. A ânsia de Vladimir Putin querer eleições na Ucrânia não é apenas para interferir nas eleições e tentar colocar alguém da sua confiança a governar os destinos da Ucrânia, é principalmente conseguir o levantamento da lei marcial que vigora desde que o território ucraniano foi invadido por tropas russas. De acordo com a Constituição da Ucrânia, enquanto estiver activa a lei marcial as eleições gerais são proibidas. Putin acusa o Zelensky de não querer um "acordo pacífico para fugir às eleições", os manipuladores têm esta tendência de distorcer os factos. Se a Ucrânia marcasse as eleições, teria de revogar a lei marcial, as medidas especiais para o recrutamento e mobilização de militares, o financiamento para a defesa, todos os programas internos de contingência para enfrentar a guerra, seriam suspensos. A medida mais simples, por exemplo, o recolher obrigatório seria cancelado. O Putin quer a Ucrânia mais vulnerável, criar maior instabilidade ao nível da segurança das pessoas e bens e assim ocupar efectivamente os territórios que estão em vias de irem para a posse do Estado russo. 

Quando os comentadores "avençados" pelo regime ditatorial russo se insurgem e consideram o Zelensky um presidente ilegítimo, que não é, a Constituição da Ucrânia prevê e legítima excepcionalmente esta situação,  estranhamente não questionam as eleições russas que são realizadas com os maiores opositores do Vladimir Putin na cadeia ou fechados dentro de um fato de madeira. O fundamentalismo religioso não é o único a ser condenável, a idolatração por um déspota sanguinário e extremista deveria dar direito a estadas prolongadadas nesse país governado por esse tirano para saber como se vive lá.

8. A hipocrisia política rende dinheiro e inventa heróis. 

 

 

 

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