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Perspectivas & Olhares na planície

Perspectivas & Olhares na planície

Sr. Ministro da Saúde veja as Panelas que deram um grande “Panelão”

Cozinha da Casa de Manhupe, Souza Cardoso

 

Há um par de dias contaram-me uma história daquelas de encantar que versava assim:

 

Era uma vez uma menina e moça que ao ir buscar uma infusa de água ao chafariz ouviu o pregão: precisa-se de uma menina e moça para ajudar as panelas a ficarem luzidias na cozinha do Hospital, elas são muito vaidosas e querem estar sempre radiosas, quem quer ir para a cozinha do Hospital, quem quer…

A menina e moça não vai de modas e pensou: esta é uma grande oportunidade de sair desta minha vida miserável. Bem pensado, melhor dito: foi oferecer-se para ajudar as panelas a serem as panelas mais cintilantes do Baixo Alentejo. A menina e moça sempre muito tímida, no entanto, muito feliz por se sentir útil e fazer também felizes as panelas do Hospital: era tal o brilho que emanavam que era o Sol no céu e as panelas na Terra.

A alegria da menina e moça foi-se desvanecendo de dia para dia… Até que uma panela, inesperadamente, cheia de pena de ver a menina e moça a chorar todos os dias pelos cantos da cozinha e cansada de o seu brilho ficar manchado com as lágrimas dela, a panela:

– Cu Cu! Menina, menina porque tanto choras?

– No início adorava estar a fazer-vos companhia e ajudar a serem as panelas mais bonitas de um dos Concelhos da Margem Esquerda do rio Guadiana. Mas, agora sinto-me infeliz e podia fazer outras coisas igualmente belas noutras secções do Hospital.

– Compreendo. Não chores mais. Como forma de gratificação, eu vou oferecer-te um “panelão”. Espera e verás.

– Muito obrigada, panela. Se me conseguisses um “panelão”, prometo-te que nunca mais ouvirás dizer que eu andarei triste e aflita a chorar pelos cantos…

 

E assim foi a panela cumpriu o prometido e presenteou a menina e moça com um “panelão: iria ser uma espécie de administrativa com direito a secretária própria no Centro de Saúde.

A menina e moça também fez o que prometeu, nunca mais chorou, pelo contrário, passa os dias sentada a olhar para o vazio, mas com um sorriso de orelha a orelha…

 

À menina e moça saiu-lhe a sorte grande: sem melhorar as habilitações literárias tem uma função à Cinderela, e às panelas, que entretanto se retiraram para o Hospital da sede do distrito, com esta atitude misericordiosa livraram-se de todos os dias levarem com a chuva de lágrimas que arruinavam a fulgência que queriam ter para concorrerem ao concurso: “Espelho meu, espelho meu, quais são as panelas mais brilhantes de todas as cozinhas hospitalares de Portugal” – o nome é comprido, porque é em jeito de homenagem às extensas listas de espera que existem nas muitas especialidades dos hospitais públicos portugueses.

 

Vitória, Vitória, acabou-se a história…

 

Podeis não acreditar, parece um conto de fadas, mas não é. Não são factos efabulados, são factos verídicos e muito embaraçosos para o Ministério da Saúde. Quantos casos iguais a este não sucederam e continuam a suceder por este Portugal. Quantos?

Sr. Ministro da Saúde Paulo Macedo: sabia que para estar nos Centros de Saúde não é preciso saber ler, basta estar sentado e olhar para quem chega? Muitos dos seus assalariados estão nestas condições: de nada fazer, mas saber sim, não da profissão, mas para levantar o “dinheiriiiiinho” a cada dia vinte do mês, todos sorridentes e à espera que venha o outro mês, não para trabalhar, mas para receber. É assim que está o nosso país! Desta forma não chegaremos a lado nenhum e por este andar teremos a Sra. Merkel à perna, outra vez?