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Perspectivas & Olhares na planície

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Portugal não aprendeu a lição da Islândia

“(...) o meu pai também dizia que a Islândia era deus e era a beleza de deus.”

Valter Hugo Mãe, A Desumanização

 

No último debate parlamentar quinzenal Rui Rio frontalmente afirmou que o BES foi “o maior crime de colarinho branco em Portugal”.

Ninguém disse nada, no entanto, todos pensaram. O Rui Rio ao lembrar o caso de polícia que se tornou o BES não conseguiu arrancar palavras condenatórias, porém contribuiu para que o BES fosse a mola para o pensamento de alguns recuasse  até ao baú das recordações.

Eis os exemplos:

  1. António Costa. Ouviu e pensou: BES? Os jogos do Euro 2004 tiveram outra classe, porque os vi no Camarote do BES. Só boas memórias…

  2. Marcelo Rebelo de Sousa. Na madrugada foi ver o debate e ao ouvir a frase mágica do Rui Rio não conseguiu evitar: lembrou-se que se tinha esquecido de telefonar ao sempre amigo Ricardo Salgado. E recordou com saudade as férias no Brasil … os colarinhos estão nas camisas!

  3. Eu. A Islândia surgiu na minha memória. O país dos fiordes marcou a diferença durante a crise financeira de 2008 prendeu banqueiros e demitiu dois primeiros-ministros. Em Portugal, o balanço da crise dos bancos é este:   culpados em liberdade e os contribuintes presos às dívidas das decisões criminosas de banqueiros e governantes. O Rui Rio tem razão. Portugal tinha e tem muito a aprender          com a Islândia. Os países velhos não ensinam apenas, também têm muito que aprender com os países mais novos. Como é o caso da Islândia, que deu uma verdadeira lição como se deve enfrentar crises criadas pelos  banqueiros, que se tornaram intocáveis com a conivência dos governantes e com ajuda da justiça em países como Portugal. O julgamento do Oliveira e Costa foi um lesa-pátria. O Ricardo Salgado um protegido do regime continua a sua vidinha fora da prisão, por sua vez, o contribuinte ficou condenado em liberdade a pagar as ilicitudes dele e dos outros todos. Bem sei que a Islândia tem a sua moeda, por isso tem mais soberania para tomar decisões radicais e sair mais rápido de uma crise; todavia o melhor foi ter deixado os bancos entrarem na falência. Os governantes portugueses decidiram (limitados às ordens da U.E.) salvar os banqueiros e os seus bancos e criaram uma bola de neve que nunca mais tem fim. E é esta bola de neve que nos tem esmagado, porque o sistema financeiro foi salvo e agora em tempo de pandemia não são capazes de dar a mão às empresas e às famílias que não colocaram entraves quando foram chamadas a pagar a fatura originada na crise bancária de 2008.

 

“O meu pai declarou: a Islândia pensa. A Islândia é temperamental, imatura como as crianças, mimada. Tem uma idade geológica pueril. É, no cômputo do mundo, infante. Por viver a infância, decide com muito erro, agressiva e exuberantemente.”*

À parte disto tudo, a Islândia tomou decisões de pessoa adulta e responsável, não optou pelas decisões óbvias e inúteis de velhos países que governam com vícios e conveniências instaladas.

A história da Islândia não ficou nem fez história, infelizmente.



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*Valter Hugo Mãe, A Desumanização

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