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Perspectivas & Olhares na planície

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P&O na Planície: Bom Fim de Semana 34

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P&O na Planície: Bom Fim de Semana 34 = A manifestação dos militares da GNR e dos agentes da Polícia frente ao Parlamento correu como devia: sem incidentes. Para evitar actos heróicos foram posicionadas barreiras de betão e grades em frente das escadarias que antecedem a porta principal da nossa Casa da Democracia, para além da forte presença dos seus colegas para o Ministro Eduardo Cabrita não escorregar e cair das escadas do Governo de António Costa preso a arames.

As reivindicações, regra geral, centram-se:

a) aumentos salariais e respectivos suplementos bem como acrescentar o subsídio de risco. Concordo com a criação de uma tabela remuneratória uniformizada a cada categoria/função específica com aumentos de acordo com a inflação e não subir de escalão de acordo com a antiguidade, bem como, com o pagamento de dois suplementos: risco e fardamento. E terminar com os criativos subsídios  (não tributáveis) que foram inventados para aumentar as alíneas dos extras e não a remuneração-base que nunca foi alterada. Não há coragem, e não vai ser este Governo que vai fazer isso;

b) “mais e melhor equipamento de protecção pessoal. Obviamente que concordo, porque a filosofia de partilhar, a título de exemplo, os coletes  à prova de bala que  inclusive alguns estão obsoletos (validade expirada) não será a melhor forma de dotar as forças de segurança de um país que pertence à União Europeia; c) “os polícias exigem também uma fiscalização das condições de higiene, saúde e segurança no trabalho. Ninguém deve estar em desacordo, uma vez que num país que se diz moderno não pode ter esquadras terceiro mundistas, onde os ratos fazem percursos turísticos pelas várias divisões das instalações da Polícia ou GNR espalhadas pelas nossas vilas e cidades portuguesas. Acho que deviam equacionar a colocação do chip nos ratos, dado que já fazem parte do quotidiano dos nossos militares da GNR  e agentes da Polícia;

d) e querem “que seja cumprido o estatuto na parte referente à pré-aposentação aos 55 anos”. Suscito  as seguintes inquietações: pré-aposentação aos 55 anos com quantos anos de carreira contributiva? Ora sabendo que a esperança média de vida está perto dos 80 anos, como é que pode ser realisticamente exequível esta regalia (sabendo que foi revogada no passado)? A pré-aposentação podia ser substituída pela  atribuição de outras funções, nomeadamente, na formação e acompanhamento dos novos militares e agentes das forças de segurança. Desta forma não se desperdiçaria a experiência e os  conhecimentos adquiridos ao longo desta profissão que é importante para manter a ordem e defesa de uma sociedade que se  quer cumpridora dos direitos e obrigações democráticas. Assim, não concordo com esta reivindicação, mas sim com os tais 55 anos de idade passarem a realizar em exclusivo funções de formação e de apoio ao funcionamento diário de uma esquadra.

 

Temos umas forças de segurança num emaranhado de arames. Todavia, passou um pouco para segundo plano esta manifestação quando o deputado André Ventura vestiu a camisola do Movimento Zero e usou da sua palavra a imitar o Mário Nogueira, de megafone em riste.  Alguns doutos fazedores de comentários à pressa  dizem que foi um momento encenado por Ventura e os outros momentos de outros protestos não o são? Estupidez a minha: o megafone é para os sinceros sofredores altruístas de esquerda, nunca com o crachá da extrema-esquerda;  por seu turno,   o megafone não é para os fingidores sofredores altruístas da direita, sempre  com o crachá da extrema-direita. Muitos dirão que houve aproveitamento político, há sempre. Não acharam justo, porém o deputado Telmo Correia também apareceu para apoiar esta manifestação das forças de segurança. Aproveitaram o arame para fazer equilibrismo, no passado bem recente também subiram para o arame com o intuito de mostrarem as  suas extraordinárias habilidades de funambulismo: PCP, BE e Verdes desceram a escadaria da AR para apoiar taxistas.

 

Intencionalmente, ficou para o fim uma das reclamações mais antigas: a escassez de recursos humanos nas forças de segurança. Segundo os dados da PORDATA, tendo como referência os dados de 2017: há 217,3% de militares da GNR e 207,5% de polícias por cada 100 mil residentes em Portugal. Ou seja, havia 22.365 militares da GNR e   21.350 agentes da PSP. Portugal, na União Europeia, ocupa o quinto lugar como sendo o país com maior número de agentes da polícia tendo em conta a população residente, isto é, em média há 449,7% de agentes da polícia por cada 100 mil residentes (ver em PORDATA ou EUROSTAT). De duas,  uma: ou há muitos agentes de segurança de baixa médica ou a maior parte está escalado para fazer trabalho de secretaria. Porque se em locais com grande densidade populacional é um “cabo dos trabalhos” vê-los a patrulhar as ruas (vemos mais fiscais da EMEL…); imaginem   em cidades/vilas mais rurais em que estão cada vez menos elementos afectos a esses postos e esquadras em que o serviço de  patrulhamento nocturno é (quase) inexistente.

 

Deixo como curiosidade o seguinte dado da EUROSTAT: somos o quinto país da União Europeia com mais assaltos/furtos registados (2017): houve 115 assaltos/furtos por cada 100 mil habitantes. À nossa frente ficaram: Reino Unido (4º), Espanha (3º), França (2º) e Bélgica (1º).

A organização e eficiência das nossas forças de segurança parece, por vezes, um emaranhado de arame sem fim à vista.

 

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