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Perspectivas & Olhares na planície

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Os Pífios do Costume e as Vacinas contra a Sars-Cov-2

"O bom senso evita muitos aborrecimentos."

Agustina Bessa-Luís, Fanny Owen

"A verdade vive isolada do registo em que pode ser contada ao mundo."

Agustina Bessa-Luís, Fanny Owen

1. Os pífios do costume. Há fraude com tudo em Portugal, estranharia tal não acontecesse com o processo de vacinação contra a Sars-Cov-2.

As pessoas reles que o sistema político democrático produziu e que nós, cidadãos portugueses, lhes fortalecemos a sua influência e lhes cimentámos a sua permanência em todos os sectores preponderantes  no desenvolvimento e gestão de um país. Estamos minados destes reles que só pensam no seu umbigo, em que se aproveitam dos cargos de poder, funções privilegiadas inadvertidamente. Em suma são uns desonestos que são competentes em atingir os seus objectivos pessoais e dos seus grupos protegidos. 

É uma máfia de pífios que manda em Portugal. 

Nauseada assisto ao usurpar de vacinas por quem não tem escrúpulos. Nesta primeira fase as vacinas são escassas e seriam supostamente para os grupos prioritários, porém começou a lei da salvação dos pífios para subverter os critérios e assim serem abrangidos. É indecoroso. 

Esta prática de vacinar quem pertence ao grupo não prioritário começou em Reguengos de Monsaraz; foi aí que se fez a sessão de boas-vidas à fraude, à prevaricação. Esse Senhor que se serve da causa pública não foi capaz, não quis, nunca se interessou em  implementar as boas práticas de tratamento dos idosos que estão no lar, mas já soube usar o seu cargo para usufruir ilegitimamente de um benefício que não lhe pertence. Aí não se ausentou, pelo contrário soube onde era a porta para estar presente para receber a primeira dose da vacina. Depois seguiu-se o somar de maus exemplos de gente reles que se infiltrou na lista de nomes consignados aos grupos prioritários.  Quando nem metade desse grupo foi vacinado, outros e outras sem pinga de senso vão passando à frente, temos de tudo: padre, mãe de padre, empregada da mãe do padre; staff de escritório e empregadas domésticas da delegação do INEM norte; a pastelaria contígua à delegação do INEM Norte de bracinhos livres de roupa para receber a primeira dose da vacina;  director de hospital não satisfeito inclui a esposa que ainda  vai ser voluntária e a filha médica que não quer esperar pela sua vez, que tarda; o responsável por uma IPSS  antecipou-se aos meses que teria de esperar, incluiu a filha que andou a trocar lençóis de camas voluntariamente, reforçando que a filha é dirigente numa instituição social, logo "fazer camas" é um trabalho para os subalternos e merecidamente fez a inoculação como recompensa pelo dobrar as costas, sem esquecer a esposa que arduamente esteve na cozinha a "olhar" para as cozinheiras que faziam realmente os cozinhados; autarcas, assessores todos na linha da frente para de forma oportunista desviar doses para si e seus familiares; e o que dizer da delegação da Segurança Social de Setúbal? Lentos para resolver requerimentos que lhes chegam à secretária, porém rápidos para ir ter com a enfermeira que administrou as vacinas.

 Ainda a festa vai a meio, mais casos de roubo de vacinas vão ganhar tempo de antena. Enquanto que os bombeiros, os médicos e enfermeiros de outras especialidades que continuam à espera que os chamem,  estes prevaricadores recusam a admitir que cometeram um crime.  

É comovente observar a solidariedade organizada  nos pífios: todos apresentam a desculpa que foram vacinados ora devido  às sobras,  ora devido ao facto de fazerem voluntariado ora para não desperdiçar o líquido precioso (no caso da decisão do INEM com a escassos metros o quartel de bombeiros). Ninguém admite que errou, que deviam ter recusado a inclusão dos seus nomes nas listas ou nas decisões em cima do joelho,  ninguém.  Pelo contrário,  culpam as sobras, a missão de ser voluntariado que em muitos casos são porque lhes dá jeito neste momento ser para usufruir destas benesses e não a intenção de ajudar verdadeiramente o seu semelhante. 

Estão a ser instaurados processos de averiguação na apropriação das doses de vacinas, mas já se sabe que ninguém vai ser responsabilizado. Ainda há dúvidas?  O crime compensa, em que não há  pejo em passar por cima dos outros injustamente para se ganhar imunidade à Sars-Cov-2 pensando que são mais importantes que os demais.  

A ganância cega domina, acham que têm de ser os primeiros na fila em tudo. Por mim podem ficar com a minha vacina, dupliquem a vacina nas vossas veias, atinjam a imunidade a duplicar; não faças mal à espera que venha o bem.  

 

"(...) Os intelectuais julgavam ir ao leme dos acontecimentos quando eram remadores unicamente."

Agustina Bessa-Luís, A Ronda da Noite 

"O país estava a funcionar sob a fresca maneira dos politocratas. Já não era uma arte confidencial, era um desempenho de palco, com maquilhagem, provas no alfaiate recomendado, cores conforme o conselho da televisão. "

Agustina Bessa-Luís, A Ronda da Noite 

2. Outra vez os pífios do costume em plena actividade de açambarcamento. Ora vejamos: que sentido fará os deputados entrarem no grupo prioritário da vacina? Os idosos que optam por permanecer em casa com familiares e auxiliados por cuidadores formais/informais continuam por vacinar, contudo o deputado que está nas lides de fingir que trabalha na Casa da Democracia é prioritário.  Estranha-se muito estas ultrapassagens sinistras destes políticos. Para que servirá as listas com os grupos prioritários se depois se as adaptam de forma a abranger os seus interesses? 

O Secretário de Estado Lacerda Sales é favor da vacinação em massa dos políticos. Os bombeiros que fiquem de fora do grupo prioritário, é isto que está nas entrelinhas.

No máximo defendo que o Primeiro-Ministro entre na lista,  uma vez que estamos a presidir à União Europeia neste preciso momento.  E claro o Presidente da República. Quanto ao resto, esses ficam para a terceira fase,  pois do viveiro em que vieram estes deputados, secretários de estado, ministros, há mais iguais a estes lá à espera de uma oportunidade. Por isso, podem ser substituídos com muita facilidade, não vale a pena estas ultrapassagens para ganharem rapidamente as vacinas. 

 

"Os ricos são pessoas muito especiais, vivem por sua conta que é uma coisa que mais ninguém faz. O gosto, que tem a tendência a estabelecer os princípios da moralidade, é influenciado pelo preço e não pela noção  do sublime."

Agustina Bessa-Luís, A Ronda da Noite 

3. Nasceu um nicho de mercado no sector turístico. Fazer turismo para ser vacinado contra a Sars-Cov-2.

Segundo a notícia no Jornal de Notícias: Um clube exclusivo de viagens e "lifestyle", sediado no Reino Unido, está a levar os seus membros aos Emirados Árabes Unidos e à Índia para serem vacinados contra a covid-19. Fazem muito bem os milionários. São milionários à séria, não são mesquinhos em tentar infiltrar-se no processo de vacinação gizado pelo governo britânico, por exemplo. Têm dinheiro,  pagam. 

Espero que estejam alguns milionários portugueses inscritos neste clube para usufruir deste benefício.  Mas, se não estiverem,  espero que espécimes como: Ricardo Salgado, o Joe Berardo, Zeinal Bava,  Henrique Granadeiro, Duarte Lima, Dias Loureiro e outros que não me vêm à memória tenham encontrado forma alternativa  para se vacinarem sem ser à custa do contribuinte, uma vez que já nos deram muito prejuízo. 

 

 

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