17 de Janeiro de 2011

A meu ver, o foco desta decisão da CP está na ligação ferroviária até ao transbordo, continuar a ser feita com o recurso à automotora diesel.

Se as obras de melhoramento e electrificação da linha ferroviária do Alentejo não contemplavam o ramal de Beja, era expectável este desfecho: a secundarização da linha até Beja e consequentemente a confirmação da inconsideração de, para e com Beja (capital do Baixo Alentejo e população).

O desinvestimento da CP é intolerável, e mais, é incompreensível o não ajustamento e electrificação da linha, com a proximidade da operacionalização do Aeroporto em Beja.

Não é novidade, mais uma vez, a ilação que retiramos é a que estivemos e continuamos a ser pessimamente representados pelo poder político local (o eleito e o nomeado), são esses os grandes culpados. Assim sendo, porque é que tem de ser a CP importar-se em defender a melhoria do serviço ferroviário na região, se na iminência da região vir a ser prejudicada, os nossos representantes políticos locais encolhem os ombros, sobressaíndo o que todos sabemos, que não têm  um projecto de desenvolvimento sustentado e integrado para o Baixo Alentejo. Caso tenham, é um erro grave, sendo Beja uma cidade intermédia, não atribuírem especial importância à articulação entre os meios de transporte rodoviários e ferroviários, visto as acessibilidades e a mobilidade inter e intra-regiões serem os agentes potenciadores  do desenvolvimento económico, da inclusão social e da qualidade de vida. 

 

Há uma réstia de esperança: a mobilização cívica interromper a subalternização que Beja, enquanto capital do Baixo Alentejo, paulatinamente tem sido votada. 

 

Uma coisa é certa, Évora "passou-nos a perna", foi compensada, sem aeroporto fica com a automotora eléctrica e Beja com a automotora diesel e claro, com o aeroporto virtual, à espera da boa vontade dos Deuses do Olimpo, porque os Deuses Lusitanos (ANA, EDAB....) estão a "dormir na forma".

 

Por vezes, dou por mim a pensar: caso as infra-estruturas do futuro aeroporto fossem portáteis, Évora já as tinha vindo buscar, e o aeroporto seria uma realidade e estaria a funcionar há muito tempo. É algo que nunca poderei confirmar, enquanto não tivermos o aeroporto, é um pensamento que terei com frequência.

 

 

Espera-se que a viagem de automotora diesel não atrase muito e os transbordos não sejam atribuladíssimos e semelhantes ao da personagem do Eça de Queirós, Jacinto "Galião":

 

"(...) Sr. D. Jacinto!... Depressa! Depressa! que parte o comboio de Salamanca.

- Que no hay un momento, caballeros! Que no hay un momento!

Agarro estonteadamente o meu paletot, o Jornal do Comércio. Saltámos com ânsia: - e, pela plataforma, por sobre os trilhos, através de charcos, tropeçando em fardos, empurrados pelo vento, pela capa à espanhola, enfiámos outra portinhola, que se fechou com um estalo tremendo... Ambos arquejávamos. (...) sem um apito, o trem despegou e rolou. Ambos nos tirámos às vidraças, em brados furiosos:

- Pare! - As nossas malas, as nossas mantas!... Para aqui!...

Oh Grilo! Oh Grilo!

Uma imensa rajada levou os nossos brados. Era de novo o descampado tenebroso, sob a chuva despenhada. Jacinto ergueu os punhos, num furor que o engasgava:

- Oh! Que serviço! Oh que canalhas!... Só em Espanha!... E agora? As malas perdidas!... Nem uma camisa, nem uma escova!"

 

 (Eça de Queirós, A Cidade e as Serras)

publicado por /i. às 17:13
Penso que os alentejanos não se devem dividir. O aeroporto de Beja quando tiver a funcionar será um factor positivo para todo o Alentejo, inclusive para os cidadãos de Évora e se as boas linhas ferroviárias não chegam a Beja, a verdade é que a Évora também não chega grande coisa. Évora não tem uma sala de cinema decente (a que tinha da Lusomundo fechou), não tem um centro comercial que se apresente (cidades do norte, como Guimarães, tem três e quatro), e a programação cultural passa muito por experimentalismos apenas compreendidos por doidos (ou génios). Quanto ao TGV, este passará ao lado, ou nem isso…
O Alentejo deve reivindicar mais atenção … mas em conjunto.
Anónimo a 18 de Janeiro de 2011 às 17:04
Concordo plenamente consigo, o Alentejo deve reivindicar em conjunto, quando está em causa o desenvolvimento global da região, traçar um projecto comum e tentá-lo por em prática, todos ficavam a ganhar. (falta de diagnósticos e planos para serem executados não faltam, falta é vontade de os concretizar, primeiro estão os seus interesses pessoais e fica para depois os interesses dos cidadãos que os elegeram).
Mas neste caso, trata-se de um problema especifico que diz respeito apenas a Beja, enquanto cidade, concelho e distrito.
Em Évora quando estão em causa questões que poderão torná-la numa cidade menos atractiva, menos alternativa aos grandes centros urbanos, ou seja, secundarizá-la, trata de mexer os cordelinhos, para ser sempre a maior representante do Alentejo... Em Beja infelizmente, o conformismo reinou sempre.

Obrigada pela sua visita.
/i. a 18 de Janeiro de 2011 às 19:37
P&O na planície
Neste blogue poderá encontrar perspectivas e olhares de todos os temas que pululam na nossa sociedade e na nossa vida quotidiana, em particular. Uma Certeza, tudo poderá ser passível de ser perspectivado e olhado e levar a chancela no Perspectivas & Olhares na planície, basta Acontecer, Existir.... (...)

Ler Apresentação
últ. comentários
@ Sara os livros eram novos. Livros de escritores ...
Eram livros novos? Esses não podem ter muito desco...
@Malik tem toda a razão! Obrigada pela visita.
É triste... tanto milhão para os accionistas a sai...
Boa tarde, se reparou nos tags foi um post irónico...
Aparentemente de futebol percebes 0, caso contrari...
pesquisar neste blog
 
arquivo
2018:

 J F M A M J J A S O N D

2017:

 J F M A M J J A S O N D

2016:

 J F M A M J J A S O N D

2015:

 J F M A M J J A S O N D

2014:

 J F M A M J J A S O N D

2013:

 J F M A M J J A S O N D

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

facebook
Localização
Baixo Alentejo
Contacto
Email
blogs SAPO