Nota Bene:
Presto a minha solidariedade às famílias que perderam os seus entes queridos. Coragem e força para os sobreviventes para ultrapassarem o trauma e as consequências fisicas possam ser consequência deste grave incidente e acidente. Que se apurem as responsabilidades e que criminalmente sejam punidos.
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A cobertura jornalística sobre o dramático descarrilamento do ascensor que faz a ligação dos Restauradores ao Príncipe Real provoca-me o vómito.
Durante o ponto de situação, foi confrangedor o cerco feito por parte dos jornalistas e a quase tentativa de introduzirem os microfones pela boca adentro dos diferentes intervenientes na prestação do socorro que concederam informações.
A escola CM-TV espalhou-se pelas outras estações de televisão? Perguntas estúpidas e descabidas perante um cenário trágico onde há mortos e feridos graves.
Dou início à sessão de absurdos:
1. Perguntaram a um bombeiro se sabia quantas pessoas transportava o ascensor. Claro, antes de vestir a farda foi contar o número de pessoas que decidiram ir naquele ascensor da Glória descarrilado. É o passatempo deste bombeiro.
2. Esta foi sublime: o elevador embateu junto ao prédio? Então não se vê que foi o que aconteceu?!
3. Perguntaram ao médico do INEM se os feridos transportados para o hospital poderiam ter outro desfecho?! Ora como podia saber se fez o trabalho que lhe competia, ou seja, estabilizar a vítima para ser assistida com cuidados hospitalares e continuou no local do acidente?
4. Outra pergunta que ouvi: pode dizer em que estado ficou a estrutura?! (As imagens mostram inequivocamente que está todo danificado.)
5. A pergunta que faltava: quantos estrangeiros, quantos portugueses. Insistiam na lista. Não será o médico do INEM a prestar essa informação em directo, quando há familiares para serem contactados.
6. A pergunta inteligente da noite foi indagar o médico do INEM: "continuam as estradas cortadas, vão continuar?" (o acidente não ocorreu numa rua de Lisboa?). A resposta foi hilariante: "estradas não é comigo".
Outras considerações:
1. Os jornalistas não respeitaram a breve declaração oficial que o Presidente da Câmara de Lisboa queria prestar, com as sucessivas interrupções para fazer perguntas, notoriamente não iriam ser respondidas, tornou-se confusa e difícil de perceber o que o Carlos Moedas pretendia dizer. E ainda queriam "respostas concretas"?! Informo a querida jornalista que as respostas concretas num cenário destes são para serem dadas pelos responsáveis escalados na prestação do socorro, são estes que estão a trabalhar no terreno. O Presidente do Município terá de disponibilizar apoios às famílias enlutadas, aos feridos, apurar as causas e as responsabilidades do sucedido, pressionar a Carris a tomar posições, e quiçá exigir uma reestruturação da empresa que gere o transporte público que é usado por muitas de pessoas e acidentes destes nunca devem acontecer com as consequências trágicas bem patentes. Não é a imagem turística de Lisboa que ficou em causa, mas a segurança dos cidadãos que diariamente utilizam este meio de transporte.
2. Tinha o televisor na SIC, é penoso dizer que a jornalista Clara de Sousa especializou-se a ler notícias no teleponto e a preparar textos para os debitar, em acontecimentos inesperados com relevância jornalística onde é necessário ter um discurso oral desenvolto e com enorme capacidade de improviso o seu desempenho é medíocre. Nota-se o seu pouco à vontade uma vez que o tom agressivo atinge o nível máximo. Querida, agarre no microfone e vá para a rua fazer reportagem. Muitos anos a respirar o ar artificial do estúdio, a jornalista que foi, fica todos os dias à porta do edifício da SIC.
4. Não decorei os nomes das jornalistas, eram da SIC, mas urge oferecer às senhoras um curso intensivo de língua portuguesa com oferta de um dicionário para saberem o significado e quando se aplica a palavra "desencarceramento", câmara em vez "cambra", abalroou/atropelou em vez de "apanhou". Eram mais pérolas, todavia desliguei o meu televisor.
5. Na CM-TV é um hábito bem característico deste canal, os jornalistas repetirem a mesma informação uma data de vezes até que a colega em estúdio decide recuperar a emissão para si. Agora a SIC copiar o mesmo método, é deveras inusitado. Hoje, vi jornalistas nos vários locais ligados ao acidente com vítimas mortais a repetirem até exaustão e de forma muito atabalhoada as informações possíveis e (suposições) minutos a fio, tornando o momento exasperante para quem vê e ouve. Perdeu-se a forma concisa, objectiva e clara na arte de informar. Os relatos dos dados perante episódios complexos e trágicos como o que ocorreu em Lisboa são quanto mais alarmista, fantasiosos, melhor. Horas de reportagem em direto de chorrilho de frases sem nexo e banalidades que dizem que são pormenores, não passam de conversas de vizinhas que se encontram depois de dias sem se verem. Detalhes centrados na bisbilhotice é desinformação.