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Perspectivas & Olhares na Planície

«Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.» Paulo Freire

Perspectivas & Olhares na Planície

«Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.» Paulo Freire

Estátua CR7: ui aquela boquinha!

O artista iraniano inspirou-se nesta boquinha:

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... para fazer esta: 

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A primeira estátua ficou com o "abono de família" saliente em demasia, um XXL biqueira larga.

A segunda estátua tem aquela boca, parece que o rapaz abusou do botox para ficar com os lábios naquela figura, ou pior uma abelha picou-lhe as beiças e inchou de  tal forma ficando parecida à boca de uma boneca insuflável. 

Pode ser que à terceira estátua seja de vez e o próximo artista consiga fazer uma estátua que reflicta com mais rigor os traços físicos e a fisionomia do rosto do rapaz sem ter alguma característica a destacar-se indevida e grosseiramente e durante oito dias seja o bobo da corte. 

Não há duas sem três, maneiras que tenho fé, vai ser à terceira.

Artistas candidatem-se. 

 

A mulher: quando a chama da vela se apaga

"Há muitas maneiras de viver. Há muitas maneiras de morrer. (...) no fim, fica apenas o deserto. Só o deserto permanece verdadeiramente vivo. "

Haruki Murakami, A sul da fronteira a oeste do sol 

 

A turbulência gerada em torno do falecimento de uma figura pública causa perplexidade: se em vida não temos descanso, com a morte parecemos mais vivos do que nunca.

As causas da morte ficarão no baú da família. Uma ilação que esta tragédia nos convida a encarar: devemos estar atentas a quem demonstra sempre capacidade de seguir em frente e cumprir horários de trabalho. Quem não recorre à baixa psicológica. Quem desiste da vida são os que têm a rotina diária muito organizada, fazem as tarefas em piloto automático até que um dia, a decisão de nunca mais abrir os olhos acontece, e depois.

E depois chegam os remorsos, os sentimentos de culpa das amigas do peito de não terem aceitado o pedido para jantar, a revolta da família por não ter percebido, até de quem não era amigo, a tal sanguessuga cheia de si querendo beber este sangue fresco para fazer notar a sua insignificância.

As homenagens com textos de fazerem chorar as pedras da calçada de amigos de infância, do trabalho, das férias. E as palavras escritas pelas amigas? Se as palavras chorassem, tinha havido um dilúvio por causa das mensagens das amigas de plástico. Sim, de plástico, se fossem de carne e osso teriam ajudado a enfrentar a causa da dor que a dilacerou. As juras de protecção não são necessárias quando está metida num caixão. Se fossem corajosas, nunca escreveriam nada nos murais das redes sociais. Aí ela não vai ler. E quem fica está a borrifar-se para vocês, amigas de plástico. 

A decisão de esconder por vergonha, por não querer parecer frágil ou uma falhada aos olhos dos pais e família próxima a vivência das situações de violência psicológica e física perpetradas durante relacionamentos conjugais, familiares e laborais, nesse dia, sem perceber o pavio da vela acende-se, a chama durará enquanto houver cera para derreter.

O pavio apagou-se, para ela e para todas as anónimas de ontem, de hoje e, infelizmente, de amanhã. Terminou. Esta mulher, em particular, fruto da educação que a preparou para a vida, foi a prisão dela. O pudor da família continua e com as aparências a fazerem a estrada da vida. 

[É certo que os pais ou irmãos, por vezes, não são os primeiros a serem procurados para o desabafo ou para irem em socorro para salvar de um desespero. Mas, se não há certeza. O silêncio é o melhor. Acaba por cair no esquecimento. A dúvida subsiste sempre, porém a família não fica com o ónus de querer esconder uma triste verdade.]

Quando se pede respeito, primeiro tem de aceitar que não é só nas famílias dos outros que entram cordeiros vestidos com pele de lobo. Os poderosos com muitos tentáculos  espalhados pelos sectores da estrutura da nossa sociedade não são invencíveis. Encorajar a denunciar quem vive estes pesadelos de abuso físico e psicológico.

Morre-se de tristeza;

Morre-se de anos de submissão castradora;

O coração dá os seus sinais de impaciência;

Morre-se mais jovem;

Morre-se, simplesmente. 

Por vezes, as mulheres são as piores neste processo de aceitar que as humilhações, as faltas de respeito, as agressões verbais (e físicas) são para relevar. São para esconder.

"Olha a tua carreira";

"Olha os teus pais não merecem passar por esta vergonha";

"Olha os teus filhos vão ser gozados na escola."

"Olha isto", "olha aquilo" nunca chega "o olha avança", todo o tipo de violência deve ser denunciada. 

A vela aparece, lembram-se? A cera acaba. E depois. Não vale a pena chorar. Nunca se sabe o dia de amanhã, porém até no morrer pode ser diferente. 

As fragilidades em mulheres que demonstram, publicamente, serem de garra e firmes na postura de enfrentar as tarefas laborais que lhe são incumbidas e, associada a uma presença física bonita e cuidada, são ignoradas. Neste "não acredito que ela permitia", os manipuladores e os agressores exercem e impõem sem freio a sua forma de amar (cônjuge), de chefiar (trabalho) e  de gostar (amigos/parentes). Mais, no círculo mediático, familiar e laboral são os lançadores de boatos: ela é uma desequilibrada, uma mentirosa, uma carente, não vês que é uma viciada nos comprimidos e no álcool? Assim é escrita a narrativa, todos assistem de camarote, apenas sentem comiseração quando o pavio da vela deixou de arder. A chama que se apagou trouxe o espírito de vingança e piedade só para se libertarem do peso na consciência e do fuzilamento da opinião pública e publicada. 

Amanhã, sempre o amanhã, o esquecimento fará o caminho de ajuda para todos: família e amigos. A mulher fez-se cinza e os outros continuam com sangue nas mãos e a criar rios de lágrimas em quem não merece. 

Todas temos histórias para contar de momentos conturbados na nossa vida se conseguimos superar sozinhas ou acompanhadas e por isso ter a capacidade de virar a página a estas experiências, inclusive termos o discurso "só nos fazem aquilo que nós permitimos", não nos dá o direito de julgar quem não conseguiu lutar contra o farrapo humano que nos tornamos quando nos abate uma tempestade violenta no alto mar e estamos dentro de uma canoa. Nem todos encararamos os problemas da mesma maneira e muito menos escolhemos as mesmas ferramentas para os resolver.

Todavia, que há mulheres que atraem só gente sórdida e brutamontes, isso é verdade. Temos de nos precaver, como? Não sei. Será como ter mais amor próprio, não nos iludirmos com a conversa mansinha e aos mínimos sinais de controlo e considerações depreciativas com muita frequência é cortar todos os laços? Pode ser um caminho.

Tenham muita atenção: não são as mulheres que estão a usufruir de baixa psicológica — e muito bem, sinal que recorreram a ajuda especializada — o grande perigo para elas próprias, mas aquelas mulheres que todos os dias se levantam da cama para ir trabalhar, têm o cabelo arranjado, estão bem maquilhadas e sublimemente bem vestidas com a casa organizada e as outras mulheres cujo orçamento financeiro não permite aquele visual saído das mãos de uma cabeleira, porém fazem a manicure em casa, com a indumentária bem passada a ferro e sempre com as tarefas da gestão da casa em dia. Desconfiem. O sorriso não pode ser um atestado de vitalidade, olhem para os olhos, eles não metem. São estes arquétipos de mulher que estão a vaguear na estrada da vida, são estas que precisam de muito colo para que a vela nunca se acenda e não haja sempre o mesmo triste desfecho. 

Tudo fora do prazo, portanto!

A notícia é para ser lida aqui. Também houve fiscalização em Mem Martins, não é necessário informar que encontraram restaurantes injustamente sem estrela Michelin.

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NB: Se bem que também há nesses restaurantes com a tal estrelinha matéria para passar a "cotonette" e olhar para o especulativo preço de uma refeição,  é ilegal não é? Cobrar o preço de duas botijas de gás por um naco de carne do tamanho de um botão do sobretudo Loden do Freitas do Amaral, a descansar, refiro-me ao naco, numa cama de bebé de legumes — a quantidade dos legumes é tão pequena que é mais razoável classificar a cama como sendo de um bebé prematuro — com uns espirros de espuma de cogumelos sem esquecer as sementes para atingirmos o cume do Evareste da gastronomia, sentir o crunch da sementinha é das experiências nunca sentidas, somente nestes restaurantes do guia Michelin. Ó balhamédeus.

 

 

Boa semana

Está frescote, não acham?

Depois lemos este tipo de novidades — que não deviam já surpreender — a aragem fica  ainda mais abafada fresca. 

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Desejo a todos vós uma semana geladinha dentro do possível, dentro do frigorífico deve ser o único sítio gelado, mas tomem sentido: olhem a conta da luz! No Verão ainda se poupava uns tostões na conta da luz para compensar as facturas astronómicas de ter o aquecedor, as salamandras eléctricas ligadas muitas horas no Inverno (aos fins de semana não sei como não fazem birra do abuso ao qual são sujeitas: ligadas sem interrupções para a pausa do guerreiro), claro que quem sempre viveu as horas de bafo igual ao quando se abre a porta de um forno logo ao acordar prolongando-se até ao adormecer, a poupança sempre foi pouca. Mas, era alguma coisa. Acredito, mais a norte, dava para encher um porquinho mealheiro para comprar as prendas de Natal.

Neste momento, tudo o que sopre vento fresco está ligado e mesmo assim a transpiração é em bica basta fazermos o movimento de ir beber um copo de água em caldo — fresca não mata a sede e triplicamos as gotículas de transpiração a correr pela "espinha abaixo"—, vai ser uma grande "esmola" a entrar nos bolsos dos senhores chineses. Não sei se é a velhice, se são as casas remodeladas ou feitas de raiz com um tijolo de parede e as placas onduladas a substituir as tábuas e o caniço que tornaram as casas insuportáveis de aguentar um calorzinho de 43 graus centígrados ou uma "frieza" de 7 ou 8 graus celsius. É tudo misturado: a velhice e os materiais de construção a criar esta nossa falta de paciência para o Verão.

Esqueçam as alterações climáticas,  é sim esta urgência de ter pouco trabalho e gastar pouco tempo em tudo o que precisamos para viver: telhados que por baixo da telha está aquela placa ondulada parece uma chapa que é só soldar e por uns parafusos, florestas de painéis solares, olivais de intensivo a estragar os solos e a comprarmos o azeite ainda mais caro do que quando provinha das oliveiras de sequeiro, apesar daquela quantidade de água armazenada em Alqueva e nas outras barragens "nascidas dela" atingimos temperaturas de 45 graus centígrados,  imaginem se não existisse esta bacia? Era um forno industrial sempre de porta aberta. Agora, ainda bem que também há esta esturrina nas outras regiões do país,  espero que comecem a valorizar a capacidade de resistência física e psicológica do alentejano das planícies que outrora foram douradas. E as poeiras? Raios partam para elas. Os incêndios? FDP dos incendiários, prisão perpétua para esses Cab@#@# e pu@&%@. Semana feliz para todos vós e se conseguirem fechem a porta do forno, sim? A vossa amiga agradecia.

P.S. Esse hospital da Cruz Vermelha começou a ser gerido pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, apesar de o Estado Português deter 45%. É um sorvedouro de dinheiro público, pois está claro. E o tal presidente da União das Misericórdias não veio ainda a terreiro dar o seu parecer sobre esta calamidade financeira? Ou só está capacitado em formular opiniões sobre maminhas, amamentação e bombas de tirar leite das mamas? 

 

P&O Curtas 89: Sucata sem fim

Quando é que o partido do punho fechado, entretanto quis ser uma rosa para se amado se livra desta sucata? 

Dediquem-se a jogar monopólio com os netos ou vão lavar as portadas e janelas das vossas moradias e deixem de estar sempre agarrados ao pau da rosa. A vida também é vivida dando a oportunidade a outros para se segurarem ao pau da rosa. 

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Boa semana

Dino Santiago

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Grito bem alto: "Eu sou portuguesa. E não sou Portugal, sou mais pela Nação Benfica."

Ó Dino, Dino! Tanto ressentimento nesse coração. Eu também podia ser como tu, mas não sou. A tua ópera, a estrear em Setembro, trata dos temas: injustiça social, discriminação e esperança, vem demonstrar que a culpa não é minha e nem dos meus pais, nem da minha vizinha e nem do filho do endinheirado que te cruzaste numa rua do Algarve. A culpa é dos teus pais. Viveste num contexto de muita pobreza em Portugal, contudo quem nunca saiu de cá por opção pois somos nós portugueses que temos de desenvolver o país, também não teve a vida fácil. O português, branco, sofre(u) na pele a discriminação social, a injustiça e é(foi) no trabalho honesto e na educação para não se ser lamechas sem motivo de morte nasce(u) e se cria(ou) a esperança. Portugal pós-colonial para o português residente – incluindo os combatentes na guerra colonial – em Portugal foi uma grande missão de sacrifício. E ninguém é (foi) capaz de enaltecer essa circunstância. As famílias viveram enormes sufocos financeiros, o prato de comida faltou muitas vezes, absorver um milhão e tal de pessoas vindo das colónias originou desequilíbrios na saúde, segurança social (pagamentos em atraso de subsídios contributivos) e habitação. Faltou e continua a faltar contar a outra parte da história para honrar aqueles que nunca desistiram de contribuir para um Portugal melhor. Sendo assim é este o teu Portugal,  Dino Santiago. És um produto dos teus pais (ódio e pura mágoa) a usufruir do que os meus pais e o teu vizinho a viver num centro histórico de uma cidade algarvia trabalharam para mim e para ti sem fazer distinção. Há por vezes insatisfação e momentos de fúria? Claro que há, se uma mãe se zanga com os filhos, mais se enfurece com os outros, contigo, por exemplo. Apazigua o teu coração agora que tens descendência, ensina a amar a essência do português. Portugal são os portugueses. Sem portugueses, fica apenas o nome: Portugal. Nada mais. 

Mas, suscitou-me o interesse em assistir à tua Ópera e claro desejo-te muito sucesso e principalmente, encontres paz no teu coração.

Desejo a todos vós uma semana na companhia de Dinos Santiagos e a confraternizar com os outros que não são Dinos Santiagos. A nossa raiz da tolerância e respeito precisa de ser alimentada por todos: os Dinos desta vida e os outros que não são Dinos.