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Perspectivas & Olhares na planície

Perspectivas & Olhares na planície

O RASI: tabu em Beja e Serpa

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No RASI o distrito de Beja, a curva da evolução da criminalidade geral tem aumentado desde 2020 consideravelmente, por exemplo, face a 2022 foi registado um aumento de 12,3%. No que diz respeito à criminalidade violenta, a subida situa-se nos 24,2%, uma tendência desde 2021. 

Na cidade de Beja a insegurança é cada vez mais sentida durante o dia. São outros tempos, outras realidades. Aquela cidade onde se podia percorrer as ruas pela madrugada fora sem sentir um arrepio nas costas e andar de dia naquelas ruas estreitas do centro histórico, morreu. As cidades do Baixo Alentejo têm a população envelhecida, infelizmente não tem existido sensibilidade no poder local para o clima de insegurança não seja um costume para enraizar. 

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O debate sobre os resultados "aqueceu" quando no relatório anual de segurança interna  2023 não está presente o detalhe da nacionalidade dos delinquentes, criminosos e/ou meliantes o que lhes quiserem classificar. Não será necessário se estivermos atentos ao longo do ano às notícias locais que abordam a criminalidade. No entanto, não estou interessada em saber a nacionalidade, quem pratica actos puníveis no nosso ordenamento jurídico têm de ser condenados independentemente do país de origem, género ou condição social. A insegurança não tem nacionalidade, a menos vigilância nocturna e diurna, as penas insignificantes aplicadas impulsionam a continuação da prevaricação e do crime. A título  de exemplo, no distrito de Beja a maioria dos crimes estão associados ao furto de azeitona e cobre, actos de vandalismo (perpetrados por adolescentes), tráfico de droga, burlas e condução com taxa de álcool considerada crime. E se existisse maior fiscalização e patrulhamento por parte das forças de segurança disparavam os números de ilícitos e de criminalidade.

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O concelho de Serpa está em terceiro lugar nas participações criminais. Em 2022 estava em quarto lugar. Não li nenhuma declaração do executivo da Câmara Municipal de Serpa sobre este aumento da criminalidade, não tem havido demonstração de interesse no encontrar de soluções para estancar esta tendência crescente dos casos de violência/crimes; ao contrário assisto um enorme afinco dos eleitos municipais em governar para inventar cada vez mais eventos, festas e certames temáticos esquecendo que a questão da segurança pública deve estar sempre nas grandes preocupações diárias na liderança de um município visto também ser um potenciador destes comportamentos desviantes quando aparentemente só tem na agenda de prioridades a criação de iniciativas festivas para todos os meses do calendário. Ou seja, é preciso desviar a atenção dos graves problemas que o concelho tem entretendo os residentes, aumenta-se o fluxo de pessoas onde as forças de segurança são escassas, como bons samaritanos contratam empresas de segurança privada.  A solução é errada dado não fazerem e nem podem fazer patrulhamento nocturno nas zonas residências e rurais. As funções de defesa e segurança da população são de exclusiva competência do Estado materializadas pelas organizações afectas ao ministério da administração interna e cabe aos municípios zelar no cumprimento das acções de ordem, tranquilidade e segurança públicas. O sector privado pode e deve substituir as autarquias na organização de espectáculos de diversão e musicais, porém a segurança interna é uma missão intransmissível, onde os políticos eleitos localmente têm de ter outra forma de actuação perante as incidências de comportamentos erráticos e desviarem-se desta senda de quererem fazer concorrência às empresas de organização de eventos e promotoras de espectáculos musicais.

P&O na Planície: Bom Fim de semana 140

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P&O na Planície: Bom Fim de semana 140 = Fui votar. A minha mesa de voto mudou de edifício por conta dos cadernos eleitorais estarem online, era preciso encontrar um local com wireless para o portátil ter acesso à Internet. Esta formula aplicada às eleições europeias deveria ser seguida nas eleições para presidência da República. Sabendo que nas legislativas e nas autárquicas os boletins de voto diferem de círculo eleitoral e de municípios/freguesias respectivamente torna-se difícil de aplicação deste método só quando estiver o voto online em execução. Se assim fosse, a taxa de abstenção baixaria muito, consequentemente os resultados eleitorais estariam em real conformidade com as escolhas partidárias, bem como o Parlamento português, por exemplo, os cidadãos portugueses estariam representados de forma efectiva e não apenas uma franja da nossa sociedade, uma vez que, a grande maioria não está interessada em votar e o sistema para o fazerem não é atractivo. 

Comecei por escrever que fui votar. Correu lindamente o processo. Cheguei e não tinha ninguém na sala. Facultei o cartão de cidadão, sem saudade nenhuma, pois tinham entoado alto o meu nome completo há meia dúzia de meses, a diferença desta vez foi a leitura do chip do meu cartão de cidadão no dispositivo adaptado no portátil. Lá veio a conversa "a Internet está lenta", e a dita senhora distraída no telemóvel a ver não sei o quê à procura de não o quê para o qual ninguém tinha perguntado. Vidas. Para além, do responsável da mesa chamar a atenção se já podia tirar o meu cartão e quase quase confundia o meu nome com outro, foi por um triz que outra ficava impedida de votar.

Ainda cá vou: a internet está hoje e estará sempre, dado ser um grande problema a deficiente cobertura de sinal disponibilizado aos consumidores de forma leviana pelas operadoras de telecomunicações. Pagamos muito para termos um mau serviço. Encolhe-se os ombros e as "fornecedoras da Internet" vão divulgando aqueles spots publicitários de velocidade assombrosa de upload e download apenas os fantasmas conseguirão usufruir. Está tudo bem no Reino de Portugal e dos Algarves. 

Não tirei uma fotografia ao boletim de voto cinzentão como é o nosso. Viram o dos nossos colegas latinos italianos? Um boletim giríssimo cheio de cores garridas onde predominava o rosa vivo. Aquele boletim é que dá vontade de fotografar e mostrar ao mundo a alegria de ver a cruz no meio de tanta cor. Nem dinheiro para a tinta temos para os símbolos dos partidos deixarem de apetecer a preto e branco. Pobreza de espírito, tio Alfredo. 

Adiante. É uma parolice as figuras conhecidas da nossa praça do comércio das redes sociais fotografarem a folha com o nome de todos os partidos candidatos a uma eleição. Piroseira. "Já votei e tu já foste votar?", "Não deixes de votar" blablablaaaa. Gente que coloca a cruz no PS e no Bloco de Esquerda e depois gostam que as tratem com os verbos conjugados na terceira pessoa do singular sempre a tentar que a voz saia com a marca das fossas nasais. Um tédio. E que gostam muito de chamar de povinho cujo o voto recai nos mesmos partidos onde elas votam, porém não admitem. Não é só a gente do povo que gosta de ter subsídios estatais, estas da praça do comércio das redes sociais também,  só que se intitulam de avençadas. É mais "chique a valer" já dizia o Dâmaso Salcede persongem da grande obra de Eça de Queirós. Prefiro ilustrar o dia de hoje com uma fotografia com um sinal de estacionamento proibido absurdamente estacionado no tronco da laranjeira. O repto do Excelso Presidente da República: “Não votar é metermos a cabeça na areia”, faz sentido e não faz sentido. Ora muitos cidadãos vão votar com a cabeça enfiada na areia, e outros que votam tiraram literalmente a cabeça da areia e não vêem que lhes estão a vender a banha da cobra. Os portugueses estacionam os automóveis em locais proibidos, dispensava ser também um traço de personalidade o facto de não estacionarem bem os ideais políticos sob pena de andarmos sempre a marcar passo na política interna e externa.

Eu não crítico quem vai e quem não vai votar. Cada um sabe as razões de ambas decisões. Eu não gosto é das fotografias do boletim de voto, sou frontalmente contra. O resto é o resto. 

A minha cabeça, como podia terminar sem mencionar a falta de chá de alguém que era Primeiro-Ministro há poucos meses a ter destaque como comentador de umas eleições para as quais é um dos principais interessados em arrancar a ferros um cargo europeu. Um comentador em causa própria. A Ética, a responsabilidade de afastar-se do comentário da vida política portuguesa que até há poucos meses era o principal influenciador no rumo das decisões governativas consumadas em Portugal. Asco. 

Boa semana

Meus queridos, é isto que tenho para vós esta semana: 

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Por acaso conheço muitos bibliófilos desta craveira. 

Desejo a todos vós uma semana cheia de autógrafos no coração escrito com a tinta do amor e da amizade, no fim do jogo diário dessa coisa chamada viver devemos concentrar-nos nessas assinaturas com a tal tinta. Essas são as que valem a pena.