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Perspectivas & Olhares na planície

Perspectivas & Olhares na planície

P&O na Planície: Bom fim de semana 131

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P&O na Planície: Bom fim de semana 131 = Amigas e amigos estão a fechar a porta do vosso lar para irem jantar fora? Fiquem a saber que estão a melindrar um sicrano que tem a conjunção e a ligar dois apelidos. O que esperar de um indivíduo, inclusive é cristão, da classe alta com aversão às classes média e média alta? Por isso, espera-se esta linha de raciocínio: os portugueses "continuam com padrão de consumo elevado e a jantar fora à 6ª feira". O CEO do Santander em Portugal, Pedro Castro e Almeida, ao que parece ganhou mais de 1,5 milhões de euros no exercício das funções em 2021, não gosta de ver trabalhadores que trabalham para ele ganhar estes valores remuneratórios a jantar no restaurante do Chef Avillez ou causa-lhe repulsa não ver nenhuma cadeira vazia à sexta-feira no restaurante do Chef Olivier Costa. Sim, são estes trabalhadores que decidem ir ao banco que ele administra assinar contratos de empréstimos bancários para aquisição de casa. Não são os nomes sonantes que quase sempre com uma conjunção e a ser o presunto da sanduíche de apelidos que lhe garantem o salário mensal, mas  os tais que, felizmente, ainda conseguem ir jantar à sexta-feira a um restaurante que figure na lista do guia Michelin e ao mesmo tempo pagar o crédito à habitação. Para muitos, o Pedro Castro e Almeida pode ser considerado um indivíduo que entrou em contradição quando referiu:  “que o país tende a demonizar ou quem ganha bom ordenado, ou quem tem lucros”. Para mim é um ser com os tiques dos grupos privilegiados que só eles podem ter bons salários, frequentar restaurantes, viajar para destinos preferidos dos homens da alta finança, quem ouse ter estas ambições e conseguir ascender a este "tipo de luxos" não é bem aceite. É sempre o burguês sem berço de ouro. Quando segue a mesma táctica de demonizar aqueles que vão encher os restaurantes ao fim de semana, não aprecia os juízos de valor sobre os ordenados e os dividendos que obtêm desadequados à realidade económica portuguesa. A prova que são desajustados é que tiveram de despedir funcionários para sustentar a massa salarial dos administradores e recorrer ao aumento exorbitante das comissões bancárias. Critica alegados comportamentos supérfluos com a mesma crítica que amiúde se vai ouvindo e lendo quando há rendimentos elevados a entrar numa conta bancária de uma única pessoa. Mesmo sabendo que se trata do sector privado.

Reconhecem ao senhor do e entre dois apelidos um sentido de "humor apurado", pois quando nunca viveu com dificuldades e faz estes juízos depreciativos, vi logo que era alguém com humor apuradíssimo. 

O senhor está nervoso, e não é para menos, as vezes que vê os restaurantes cheios nos dias de descanso, imagina logo as  muitas notas a voar para fora do banco, não quer acordar um dia de manhã com a fuga da galinha de ovos de ouro.  Para cruzar com eles no banco, já serve, agora cruzar com eles num restaurante, é que não.  

Estão a ver os ramos de oliveira cheios de liquens? São a personificação da mente destes personagens que temos o desprazer de ouvir e se acham a última bolacha do pacote com as suas visões distorcidas como deve ser a convivência numa sociedade moderna.

Cenas pitorescas na rua (1)

Verdadeiras lições de pedagogia que aprendemos quando caminhamos na rua. 

Estava eu ainda a acordar para as tarefas da vida diária entrou pelos  meus ouvidos uma cena familiar muito pitoresca vinda de um carro estacionado: uma criança não queria sair do carro, para o avô ou pai ou sei lá — aparentava ter cinquenta e muitos anos — levar uns sacos para o apartamento.  O "pedagogo" começou com esta conversa: " ó Pedro temos de ir lá a cima (ao apartamento) queres ir para um sitio onde só há meninos abandonados, que não têm nem pai e nem mãe? É isso?

O meu cérebro parou uns segundos com a incredulidade que estava a ouvir. Assaltou-me o pensamento: mas que raio de argumentos mais estranhos para persuadir uma criatura a sair do carro?

Só sei que resultou a pedagogia de choque, o menino saiu do carro e foi andando para a porta do prédio. 

Cá para mim naquela família todos devem ter a massa cinzenta completamente queimadinha. 

Não sei se foi da pandemia, da guerra Rússia/Ucrânia ou do regime governativo de Costa/Rebelo de Sousa, as técnicas pedagógicas em contexto familiar estão cada vez mais maquiavelicamente refinadas. 

 

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