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Perspectivas & Olhares na planície

Perspectivas & Olhares na planície

Qua | 31.12.14

Crónica de Ricardo Araújo Pereira- Balanço do ano 2014

/p.

O povo português não é mau, o problema são as companhias

José Sócrates, um homem a quem o povo português confiou milhões de votos foi preso, acusado de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal. Ricardo Salgado, um homem a quem o povo português confiou milhões de euros foi constituído arguido, acusado de burla, abuso de confiança, falsificação e branqueamento de capitais. Passos Coelho, um homem a quem o povo português confiou milhões de votos, confiscou milhões de euros ao povo português. Em resumo, foi isto.

O povo português não é mau, o problema são as companhias.

Infelizmente, o povo português não tem uma mãe, que possa defendê-lo com este argumento nas conversas que mantém com uma vizinha, ou com outros pacientes na sala de espera de um ortopedista. Há apenas um grupo de pessoas que pode aconselhar o povo português e ajudá-lo a compreender o modo como o seu comportamento vai condicionar o futuro. Essas pessoas são, evidentemente, os astrólogos. No entanto, e surpreendentemente, os astrólogos fazem um péssimo trabalho. No fim deste ano tão cheio de acontecimentos que os astros, em princípio, não ignorariam, fui procurar as previsões dos principais astrólogos para 2014. Não vou citar os seus nomes uma vez que, apesar de não acreditar em bruxas, acredito naquele provérbio espanhol que diz que elas existem.

Estes profissionais prestaram um serviço terrível ao País. Disseram que este ano havia de ser globalmente positivo, até porque a era aquariana, à qual pertence, é um tempo de fraternidade, que assistirá à resolução dos grandes problemas sociais e ao aparecimento de oportunidades para o desenvolvimento de todos, ou não fosse aquário um signo aéreo e o planeta que o rege, Úrano, o astro que detém a tutela da eletricidade e tecnologia. Nenhum astrólogo acrescentou: "Ah, é verdade, e um ex-primeiro-ministro vai passar o Natal na cadeia. E Saturno está aqui a dizer-me que é possível que o maior banco privado português vá à falência." Sobre isto, os astros não disseram uma palavra.

A própria previsão signo a signo ignorou os principais assuntos do ano. Sócrates, nativo do signo virgem, ficou a saber que o seu ano de 2014 tinha a influência da carta de tarot dos Enamorados, pelo que teria de tomar decisões importantes. Nenhum astrólogo referiu que uma dessas decisões era evitar mangas de avião, ou mudar de motorista. Salgado, que é caranguejo, foi aconselhado a dar largas ao seu espírito aventureiro, conforme recomendava a carta do Louco. Os astrólogos esqueceram-se de acrescentar que, após dar largas ao espírito aventureiro, havia que culpar o contabilista.

E Portugal que, por ter nascido na assinatura do Tratado de Zamora, a 5 de outubro de 1143, é balança gozaria este ano da especial influência da carta de tarot do Mágico, que anunciava um ano em que capacidade para lidar com todas as situações do modo mais adequado se faria notar. É possível que os astros sejam apenas grandes pedregulhos que andam à roda em torno do sol, sem grande atenção aos acontecimentos político-sociais. Mais um ano destes e deixo de acreditar no que Vénus diz.

Qui | 18.12.14

O governo já pode cair...

/i.

... Paulinho das feiras conseguiu o seu principal objetivo!... 

 

António de Campos Rosado

Escultura de António de Campos Rosado, sem título, 1987

 

NB: as incompatibilidades vão começar a surgir com o Passos, o Portas vai começar a ir de encontro às expectativas, aos interesses e necessidades da população portuguesa para obter    votos que lhe permita disputar uma coligação com o Partido Socialista ou participar nos acordos de regime nas reformas estruturais que ainda não foram realizadas. Em suma, Paulo Portas vai voltar a vestir a pele de cordeiro para depois tornar a pendurá-la no cabide e assumir o papel de lobo da política portuguesa: mordisca umas vezes e outras morde até o sangue se esgotar. O cativeiro nem sempre é a solução para estes lobos sanguinários, mas seria um ponto de partida.

 

Isabel